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THE KOOKS Junk of The Heart 01. Junk Of The Heart (Happy) |
| Crítica de Maria João Teles Grilo |
Junk Of The Heart, o terceiro álbum de originais dos The Kooks, surge como resultado de um intencional hiato de três anos, o que contribuiu naturalmente para o reforço da expectativa gerada em torno do seu lançamento. “Is It Me” e “Junk Of The Heart” foram as faixas escolhidas para fazer as honras da apresentação de um disco que se pretendia símbolo do renascimento da banda de Brighton, através de uma sonoridade mais contemporânea e madura, concretizada pela exploração de um leque abrangente de influências musicais, mas sem virar as costas à triunfante fórmula desenvolvida em Inside In/Inside Out e Konk.
É com contentamento e o inevitável esboçar de um sorriso que nos deixamos enlevar pela faixa de abertura, “Junk Of The Heart”. Transbordando uma melodia alegre e harmonias vocais simples num refrão que fica no ouvido, esta enquadra-se de forma exímia nos trabalhos mais emblemáticos dos The Kooks, chegando a evocar músicas como “She Moves In Her Own Way” ou “Shine On”. Com efeito, esta proximidade e consonância com temas anteriores são igualmente notórias em “How’d You Like That”, “Rosie” e “Eskimo Kiss” (esta com direito a um singalong, no final, nos moldes de um “Hey Jude”), que retomam subtilmente uma certa sonoridade abrasiva, bem como em “Petulia”, uma enternecedora balada acústica que põe em evidência a voz inconfundível de Luke Pritchard.
É inequívoca a aproximação às melodias mais leves e descontraídas do (Brit)pop (espelhada em “Taking Pictures Of You” e “F**k The World Off”) e, por consequência, a crescente distanciação relativamente ao pungente indie rock outrora apregoado pelos The Kooks em temas como “Sofa Song”, “Naïve” e “Always Where I Need To Be”, género esse claramente inspirado na Brit Invasion da década de 60 e no revivalismo do pós-punk de finais da década de 70.
À medida que percorremos o alinhamento do disco, o contentamento vai sendo gradualmente substituído por uma dose de deceção. Os esforços de experimentação são exageradamente tímidos e caímos rapidamente na tentação de catalogar “Junk Of The Heart” como sendo território confortável. “Time Above The Earth”, concebida para um quarteto de cordas, constitui a antítese dos traços musicais que definem os The Kooks, sendo que, com “Killing Me”, embarcamos numa viagem nostálgica até ao pop dos anos 80. “Mr. Nice Guy”, por seu turno, homenageia a genialidade de David Bowie enquanto faixas como “Is It Me” e “Runaway” ilustram a acanhada experimentação com teclados e sintetizadores, característicos do synthpop. Todos estes elementos refletem, ainda que parcamente e de modo meândrico, o desejo louvável da banda em conferir uma maior densidade e frescura a este novo disco, e em acompanhar a evolução da indústria da música na era digital de hoje.
Junk Of The Heart não será certamente o álbum de 2011, nem constitui o tão ansiado disco de transição. Muito pelo contrário: é o retrato honesto de um ofício que os The Kooks executam prodigiosamente – a escrita de letras e melodias joviais, viciantes e sans souci,que, por breves minutos, nos fazem sentir bem.
| Classificação | 6/10 |





















