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THE LAST INTERNATIONALE Choose Your Killer 01. Life, Liberty, And The Pursuit Of Indian Blood |
| Crítica de Ricardo Toga |
À primeira vista diríamos que botas, blues, movimentos como Occupy Wall Street, rock e desabafos intimistas, são conceitos que não denunciam uma relação óbvia. E ainda poderíamos mencionar mais alguns, o resultado final seria o mesmo: Choose Your Killer. Os The Last Internationale demonstram como é bom ter influências e não se esgotar nelas, sabem como as manter vivas, como as trabalhar para criar um som robusto e substancioso, não apelidassem eles a própria música de blues with boots. Sente-se curioso? Os primeiros minutos são esclarecedores: eis um rock cru, onde as guitarras assumem um papel autoritário, distingue-se um notório trabalho simbiótico entre o baixo e a percussão, com uma voz feminina marcante que oscila, umas vezes mais doce e serena, outras, em autênticas descargas energéticas. E até solos longos e dedilhados percorrem a pele arrepiada, qual circuito de emoções. O melhor de tudo é que este álbum surpreende logo após umas faixas, é um projeto com personalidade mas com o velho espírito do rock presente.
E que melhor exemplo que o primeiro tema do álbum, “Life, Liberty, And The Pursuit Of”, para o demonstrar – botas em marcha a marcar o ritmo logo de início e uma guitarra desgarrada entre o blues e o rock que descobre caminho na voz de Delila. É um começo simples mas ritmado, em crescendo, que encontra combustível na destreza de dedos de Edgey. Até o facto de este último ser luso descendente ganhou alguma importância, como que uma tentativa de criar uma relação de pertença com a banda. Segue-se “Crawlin' Queensnake”, um minuto e meio de composição na linha do tema anterior, com vigor e estridência na guitarra, sempre com um agradável acompanhamento do baixo, uma música naturalmente rebelde – “Your Drugs, My Veins”.
Inverte-se a tendência. Soam agora acordes brandos e amenos, é a primeira demonstração de grande versatilidade musical do álbum, “Fuzzy Little Creatures” concede um caráter mais intimista, um desabafo amoroso da vocalista - “And in my heart i am so lonely; And this fucked up world is making me crazy” – que esbarra num orgulho inabalável – Yes i know babe; Im really special”. Delila tem voz para todo o tipo de registo, o seu talento natural assoma-se e cumpre qualquer circunstância, não é de admirar que Edgey a tenha convidado para a banda depois de a ouvir atuar num bar. Numa intensidade agitada ou num caudal moroso, a vocalista torna os temas mais interessantes e imprime, invariavelmente, uma flagrante qualidade à obra do trio.
“It Hurts Me Too” e “Black Cat” são as faixas que se seguem e partilham da mesma sonoridade, uma balada em ritmo de blues e rock, a lembrar a década de 60 e artistas como John Mayall and the Blues Breakers ou Johny Cash, pese embora a comparação. Claro está que a guitarra de Edgey tem sempre protagonismo, quase todas as músicas integram um solo, o que, neste caso, é muito bom, acreditem. É com naturalidade que ouvimos uma versão de “House Of The Rising Sun”, dos The Animals, que traduz uma boa parte da banda, uma mescla de blues, rock e soul.
“Dust My Broom” é rock’n’roll emotivo e mais uma manifestação de reencontro com um género intemporal, todos os ingredientes clássicos estão lá, desde o baixo persistente até a riffs mais psicadélicos. O próximo tema refresca o conceito da banda. “World Inside My Head” ensaia os The Last Internationale na sua faceta intervencionista, aliás, os músicos encontram-se publicamente relacionados com movimentos libertários de cidadãos, em busca de um sistema mais justo, como é o exemplo de Occupy Wall Street. A uma velocidade mais rápida, como que pela urgência da mudança social, a música assume contornos punk, a voz de Delila entra em alvoroço e a guitarra, agora mais distorcida, preenche a extensão com um possante resultado sonoro. Mas a intervenção não se cumpre em exclusivo com pujança nas cordas, sejam elas vocais ou de um instrumento. Por isso “The Personal Is Political” é um apelo num registo bem mais pausado que o anterior, que se traduz em melodias finas, um disposto abalo politico para que possamos ver o óbvio – “Sometimes the obvious is the hardest to see; Don't give up trying and choose what keeps you free”. Os temas abordados são universais: preocupações políticas e esboços íntimos que se relacionam facilmente com experiências vividas por todos nós. Choose Your Killer termina com uma homenagem aos povos nativos da América, os Índios, uma flauta perpetua uma voz num idioma indígena, mais tarde ouve-se uma linguagem mais familiar, o inglês, para tornar mais eficiente a mensagem: viver em paz com o nosso planeta, acertar o trilho natural enquanto seres deste magnífico organismo, a Terra. Afinal, partilhamos todos a mesma casa. “Hoka He”!
As comparações com outras bandas surgem com alguma frequência, como os The Dead Weather, mas The Last Internationale segue o próprio caminho e reinterpreta o velho rock com essências contemporâneas, desde os temas abordados até fusão de estilos como soul, punk, blues, folk e rock. Além disso, nunca é demais repetir que Delila tem uma voz sublime.
| Classificação | 8/10 |





















