IMAGEM DO SOM | Reportagem de Espetáculos

The Pulse

A Imagem do Som esteve à conversa com os The Pulse, por ocasião do lançamento do seu primeiro álbum, homónimo, no passado dia 30 de janeiro.

 

Qual a origem dos The Pulse? Querem contar um pouco do vosso percurso até chegarem à composição atual?

Paulo Muiños - Eu e o Mário tocávamos juntos desde 2001, em formações de jazz diversas, eu no saxofone e ele na guitarra. Depois eu comecei a organizar umas ideias no computador e pedi ao Mário que se juntasse a mim na composição. Dois trabalham melhor que um, e assim formámos uma dupla à la Thievery Corporation. Gravámos várias canções com cantores diversos e cedo percebemos que, gostando tanto de tocar ao vivo, teríamos de ter uma banda. Para isso era bom ter uma cantora a trabalhar connosco a tempo inteiro. A Joana aparece recomendada por uma amiga comum e deu consistência aos temas que andávamos a fazer, revelando uma capacidade invulgar de produzir e adaptar letras às melodias atravessadas que fazíamos. O resto da banda surge das formações com que tocávamos paralelamente. Como eu também toco baixo elétrico, assumi definitivamente esse papel e convidámos o nosso amigo Gil Costa para o sax. O Tino é o baterista com quem eu toco em 90% dos concertos que dou e os sopros (Tó Bravo, João Raquel e Raimundo Semedo) são grandes amigos e profissionais que favorecem muito a banda ao vivo.

 

Que impulsos estão por detrás da vossa música? Quais as principais influências deste projeto?

Paulo Muiños - É difícil responder pela banda toda, porque há pontos comuns e influências que são mais específicas deste ou daquele elemento da banda, mas há estilos e nomes que claramente influenciaram a composição dos temas: Stevie Wonder, Al Green, Sting, Djavan, Caetano e Chico, Jobim, Ray Charles, Miles Davis, Kurt Rosenwinkel, Joshua Redman, Richard Bona, The Beatles, a malta toda da Motown, até o Gabriel o Pensador. Podia ficar aqui a noite toda...

 

Apresentam-se com bastantes fusões de estilos, até que ponto consideram essa mistura como essencial para vingar nos dias de hoje no panorama musical português?

Mário Monteiro - Penso que o público gosta essencialmente de trabalhos honestos independentemente dos estilos. Por isso é que para mim a boa música é simplesmente a que tem a força da honestidade e que por isso mesmo tem nela própria todas as nossas contradições como pessoas. É essa mistura que faz as pessoas agarrarem-se a determinada música, quando sentem por exemplo tristeza, alegria, tranquilidade tudo ao mesmo tempo e tudo parece que se resolve de alguma forma nesse momento. Os diferentes estilos que se encontram no nosso álbum são pura e simplesmente as formas que espontaneamente achámos que melhor davam corpo a essas ideias. Para se ter sucesso é depois preciso que todo um outro conjunto de variáveis aconteçam e a maioria delas nem está nas nossas mãos controlar diretamente, mas a primeira é sem dúvida conseguir chegar ao público para que possam ouvir.

 

O Jazz, para o público em geral, ainda continua a ser um pouco incompreendido, acham que a incursão por arranjos mais Pop pode fazer com que mais pessoas se aproximem deste estilo musical?

Paulo - Para começar, eu duvido que o que fazemos seja Jazz. Todos estudámos em escolas de Jazz, a influência da escola e do estilo é inegável. Todos adoramos fazer concertos com formações de jazz. Mas quando penso em jazz português, penso em ambientes totalmente diferentes do som que temos. Julgo que estaremos muito mais próximos de algumas bandas Pop do que de formações de jazz. Talvez nos devessem catalogar como Soul Jazz atravessado. Claramente entortamos os compassos e as harmonias, mas tentamos manter puro o groove. Como dizia o Duke Ellington, no dia em que o jazz voltar a ser uma música de dança, voltará a ser popular.

 

Joana para além de dares voz a este projeto também escreves as letras, achas importante esta conjugação para melhor transmitir a mensagem?

Joana Alegre - As letras acabaram por surgir como seguimento do que já estava feito, e então vieram completar um processo, por isso sim, acho importante. Como foram inspiradas pelo estado de espírito que cada tema me ia transmitindo, gosto de pensar que vêm completar o processo de expressão, e estabelecem uma ligação com o ouvinte, contam a história.

 

Cantar maioritariamente em inglês é uma opção ou um acaso?

Joana - A questão do Inglês/Português nunca foi deliberada, portanto não houve escolha à partida, apenas uma aproximação ao que senti que estava de acordo com a sonoridade do grupo, tanto que na bossa Vinicious acabei por naturalmente escrever em Português. Entre os novos temas já existe um com letra em português, por isso o mais provável é voltar a acontecer!

 

Com a internet os fãs acabam por ter um acesso muito mais direto com as suas bandas de eleição, como está a ser a recetividade do público ao vosso trabalho?

Mário - Está a ser melhor do que alguma vez imaginámos e em poucos dias passámos a ter centenas de pessoas na nossa página do Facebook e com muitas visualizações dos vídeos no YouTube. Mas o melhor elogio à nossa música veio dum casal de noivos que depois de ouvir o single "No Match" adotou este tema como seu e nos disse que o queria utilizar num dos momentos importantes desse casamento, pois significava muito para eles. Esta é realmente a prova que depois da apresentação dum trabalho ao publico e, como se diz muitas vezes, esse trabalho deixa de ser nosso para pertencer às pessoas que o ouvem. Por isto já valeu a pena.

 

O single “No Match” já e uma presença assídua nas rádios, qual será o próximo?

Mário - Exatamente por a música pertencer a partir de agora mais ao público do que a nós, o próximo vai ser mais fácil de decidir pois vai ser o público a dizer, através das reações que deixam no Facebook, nos concertos, nas conversas, etc. Portanto ainda não sabemos.

 

Agora com o lançamento do álbum irão certamente iniciar uma digressão, quais serão os palcos onde poderemos ouvir os The Pulse num futuro próximo?

Paulo - Consultem por favor o nosso site www.thepulse.com.pt e a nossa página no Facebook, onde manteremos atualizada a informação respeitante a concertos. Há novidades em vista que, uma vez confirmadas, serão imediatamente publicadas.

Agradeço desde já a disponibilidade prestada para a entrevista e, incluindo-me como ouvinte, resta-me desejar-vos as maiores felicidades e sucessos na continuação deste projeto.

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