
Oliveira de Azeméis, no interior do distrito de Aveiro, abriu o simpático Cine Teatro Caracas, para receber em estreia, “Improvisos”, o novo espectáculo de João Pedro Pais, inserido na programação especial do espaço, nomeada “Ciclo da Primavera”.
Depois dos Coliseus em 2009, editados no ano seguinte (e já é ouro o cd/dvd), depois do maior palco em Portugal, o do Rock in Rio, em Lisboa, nesse 2010, João cria, para os dias que passam, um espectáculo mais intimista, desenhado para auditórios, num formato que pretende acústico e a percorrer o país.
E é naquele registo acústico que, ao escurecer da sala, João Pedro entra em cena, de guitarra à bandoleiro, para arrancar com “O dia mais longo”, que haveria de receber a banda que o acompanha.
Para quem, como nós, aguardava uma noite tranquila, ao som de guitarras e voz, perante uma plateia sentada, nem por tal menos interessada, mas, por isso também, bem composta e ordeira, surpreendeu-se ao segundo tema, “A palma e a mão”.
João, sem medo, aventura-se na noite e, com mestria, entrega na voz das gentes de Oliveira de Azeméis os destinos do concerto. Uma atitude destemida, um privilégio só possível por serem tantos os êxitos que o cantor colecciona na sua forte carreira.
Cada tema que se sucedia, surgia como que escolhido pela plateia, rendida, que se não limitava a entoar o refrão, antes cantava, de alma, os temas de princípio a final.
“São vocês que fazem o espectáculo”, avisou; e assim foi… em “Mais que uma vez”, “ Sempre Hoje” (com a guitarra de Arantes ‘colada’ à de Brian May, em Love of my Life…) , “Um resto de tudo” ou “Palco de Feras”, em ambiente de total euforia, em “Ninguém é de ninguém” ou “Mentira” só com guitarra e as teclas de Rui Almeida.
E o ponto alto estaria a chegar, quando João se deixa contagiar pelo ambiente e desce do palco para o meio da público, ao som de “Até nunca mais”. Se alguém houvesse, ainda não convencido da arte do cantor, viveu naquele momento o poder da sedução artística. De regresso ao palco, o artista, como que inebriado pela atmosfera, entrega-se a uma dança morrissoniana, contagiante aos mais destemidos .
João e os fãs mantiveram o ritmo alucinante até ao final, com interpretações de “Um Volto já”, “Paciência”, “Lado a Lado” ou “Louco por ti”. E, em tom de agradecimento, no encore, João Pedro ofereceu um inédito, do próximo disco.
João Pedro Pais esteve perfeito, num concerto com um alinhamento cuidadosamente construído. A banda - Luiz Arantes nas guitarras, Fernando Tavares na bateria; Mário Peniche no baixo e Rui Almeida nos teclados – actuou como sempre, irrepreensível.
Agradecimentos
Oficina da Ilusão
Cine-Teatro Caracas



























































