
Às vezes o amor…talvez seja um bom começo para uma critica a um concerto de Sérgio Godinho. É que às vezes parece que 40 anos nestas andanças e mais de 200 canções com letras de deixar os poetas de boca aberta são pequenos nadas que se reduzem a duas horas e qualquer coisa de outra coisa qualquer que não é lá muito fácil de explicar.
Depois de um dia de greve que se disse geral, Sérgio Godinho conseguiu reunir no Coliseu da capital portuguesa um amontoado considerável de pessoas. Pessoas de todas as idades, porque isto das músicas de intervenção cabem no bolso de qualquer um.
Com 40 anos deste ofício, Sérgio Godinho arrancou o serão de sexta-feira, frio por sinal, com “Mão na Música” e voz a dar tom à declamação que marca o seu mais recente disco, “Mútuo Consentimento”. Apesar deste início estar muito longe daquilo que podemos considerar como extasiante, pelo menos para quem estava do lado de cá, não podia desenhar-se mais indicado, isto porque como o poema dizia: “a música é tamanha, cabe em qualquer medida”.
E assim foi…de início Sérgio Godinho teve algumas dificuldades em arrancar o público das cadeiras. Mas prosseguiu, sem medos, acompanhado pelos seus jovens músicos, ao som das batidas de “Bomba Relógio” e “Acesso Bloqueado”.
Sérgio Godinho mostrou-se igual a si próprio e em grande forma apesar dos seus já 66 anos. “Vou mostrar canções novas e menos novas que reflectem, em parte, o Estado da Nação”, disse, enquanto se lançava frenético para um género de medley com “A Vida é Feita de Pequenos Nadas” e “Arranja-me um Emprego”, músicas que finalmente conseguiram despertar o público meio adormecido.
Já num registo mais intimista de guitarra em punho, Sérgio apresenta-nos a música que compôs em “Mútuo Consentimento” com Bernardo Sasseti. “
O concerto continuou…cada vez mais animado e carregado, como não poderia deixar de ser, de mensagens politicas, “ora vivemos em euforia, ora em depressão. É este o nosso país, reconhecido pelas Nações Unidas”, e de músicas também mais antigas e intervenção “Só Neste País” seguido de “Pode Alguém Ser Quem Não é” numa brilhante versão acústica.
Às vezes o amor! Respira! Não respira! Sérgio Godinho senta-se na boca do palco com a guitarra enquanto se fazem os preparativos para entrar A Roda do Choro de Lisboa. Seguem-se três músicas fantásticas que deixam o público animado. “Intermitentemente”, “com 17 letrinhas se escreve a palavra intermitentemente”, graceja o músico, “Não Te Deixes Assim Vestir” e “Cuidado com as Imitações”.
Foi a vez do público bater palmas e cantar. Foi a vez do público passar a ser protagonista desta história. Sérgio não resiste aos clássicos e o público também não. “A Balada da Rita”, “Dancemos no Mundo”, “Coro das velhas” fizeram as delícias de quem estava na plateia. Até que alguém grita: “és como o vinho do porto”, seguindo-se aquele que podemos considerar como o momento alto da noite, “hoje é o primeiro dia do resto da tua vida”. Quem lá esteve sabe do que falo…quem não esteve posso dizer que foi arrepiante, nunca tinha visto o público cantar tão baixinho, tão em uníssono e de forma tão bela e sentida. Inesquecível.
Seguem-se dois encores onde não podia faltar o clássico “Lisboa que Amanhece”, o “Elixir da Eterna Juventude” e o “Brilhozinho nos Olhos”.
E assim terminou o concerto de apresentação de um novo álbum, que conseguiu condensar parte dos vinte discos do músico em cerca de duas horas. Tiremos o chapéu a Sérgio Godinho. Ele sabe o que faz!
Agradecimentos
Vachier & Associados













































