
‘Jorge Morreu’
Partiu, sozinho, para uma longa viagem, na qual não sonhava embarcar. Quis o destino que assim fosse. Há trinta e três anos… a vida de Cristo… ao som de poesias do filho marginal de outro deus…
‘Jorge’ deixou-se guiar pela linha de um rock feito também de palavras; porque os sons, esses, marcaram-no como tema primeiro de tantos outros, num rumo preciso, mas desviante do caos instalado.
‘Dá-me Um Bilhete Para o Inferno’
Chamam-nos para uma celebração. Acústica, avisam.
Eu vou. Pelo Jorge e por todos os outros que, no rio turvo dos anos, em nós se foram imortalizando.
Vinte e duas horas. Cinema Teatro de Fafe.
Uma imensidão de gente desassossegada , quase sem sentido, limita-se a aguardar o cair das luzes.
Agora.
António Manuel Ribeiro pisa o palco já com os acólitos em cena. “Dança Comigo”, abre a celebração. E, logo, um clássico : “Rua do Carmo” . E outro… “Matas-me com o teu Olhar”. António agradece… ao norte; e a Fafe, às suas gentes e ao Teatro, pela arte de bem receber.
Em troca, a música dos UHF, corre pelo espaço. “Rapaz Caleidoscópio” é uma das obras maestras. Nesta versão acústica, a voz sobressai, o baixo transforma-se, marcando o ritmo selvagem da odisseia biográfica que o tema revela.
Dezassete musicas fazem a parte primeira do concerto. Na penumbra da sala e sob o aclamação estrondosa, a banda regressa para quatro canções. “Podia Ser Natal”, “Quero um Wisky”, “Uma Palavra Tua” e “Velhos Tamborins” a anunciar quase duas horas de festejo.
‘Cavalos de Corrida’
António regressa.
"Agora é que a corrida estoirou, e os animais se lançam num esforço” …
António mergulha até ao ponto mais alto do rock português. Com ele, toda a sala se envolve numa orgia musical que vai até Zeca Afonso, relembrado em “Vejam Bem”, para findar num grito de afirmação, com “Portugal – Somos Nós”.
Foi grande a noite.






















































