
Parceiros de estrada dos Mastodon desde setembro do ano passado, os norte-americanos Red Fang entraram em palco como cavalheiros de veste negra e barba a roçar o peito. O cumprimento cortês pré batalha deixava antever aos presentes a projeção de um concerto de quem faz do heavy metal uma cerimonia com requinte e elegância.
Abrir para Mastodon, uma das bandas de referencia e com atitude mais sólida na cena metal atual não se antevia tarefa fácil, mas logo ao soar da primeira marcha de riffs opressores, o stoner rock do quarteto de Portland convenceu o público fiel, que ao final do segundo tema já entoava coros em nome da banda. Seguiu-se "Into the Eye", um dos temas principais do novo registo (o segundo da discografia, lançado nos finais do ano transato) "Murder the Mountains", compassos penetrantes de uma fusão sludge stoner que não deixou ninguém indiferente. Com a passagem pelo certame dos temas mais significativos do grupo, com todo o destaque para o novo trabalho, assim se passou por uma hora de um concerto que marcou por ser uma surpresa agradável de uma banda que com certeza deixou saudades e vontade de explorar.
RED FANG
Pouco depois das 22h, e já bem aquecidos pelos Red Fang, o publico presente já estava preparado para ir direto ao assunto: Mastodon em nome próprio, o suficiente para compor um coliseu dos recreios pintado de negro e ocupado por amantes do melhor que se faz no progressivo atual. Os primeiros ecos de "Dry Bone Valley", o mote do concerto, mostraram que o publico não virou costas ao quinto disco de originais do quarteto de Atlanta, "The Hunter", que apesar de funcionar com uma tentativa de fusão entre a herança pesada e o presente progressivo, não substituía o desejo de regressar ao tempo de "March of the Fire Ants" e "Elephant Man" ("Remission", 2002). Mas mais do que um concerto de apresentação do novo álbum, ao todo com nove temas interpretados (num total de 23), a banda já tinha prometido aos fãs nacionais um espetáculo de boas memórias. E assim o foi ao longo de mais de duas horas, com passagens solidas pelos melhores momentos de "Blood Mountain" e "Leviathan". "Crystal Skull", terceira do alinhamento, veio para confirmar a premissa, a abrir com as vocalizações profundas e as harmonias entre a emoção e instinto do guitarrista Bret Hinds e o gutural imposto do baixista e front man Troy Sanders, tão características na construção sonora dos norte americanos. Seguiu-se um desfilar de clássicos, com as palavras de ordem bem presentes na língua dos fãs com especial afeto pelos refrões de "All the Heavy Lifting", "Colony of Birchman" e "Sleeping Giant", entoados em uníssono quais hinos formais aos donos e senhores da nova geração da música pesada.
A fechar, houve ainda tempo para uma sequência arrasadora com a brutalidade de "Iron Tusk", a frenética "Blood and Thunder" e as ternas despedidas ao som de "Creature Lives", uma ode ao bom gosto numa noite onde a música falou mais alto. O final de um grande concerto só se esperava apoteótico e assim o foi, com todos os membros de Red Fang a subir a palco para entoar os coros de uma das musicas mais fortes ao vivo do novato "The Hunter", tema que deixou a promessa de de juntar ao hall of fame das grandes composições metal, uma proeza que pelos vistos estes rapazes não se cansam de repetir.
Dispostas as guitarras e atiradas as baquetas, ficou no ar a leve desilusão pela falta de "Crack the Skie", considerado um dos álbuns metal mais importantes da atualidade, que apenas esteve presente em "Ghost of Karelia" e no tema homónimo. Mesmo assim, e para gáudio dos fãs, a banda prometeu voltar este verão, para mais uma presença junto de um dos públicos mais fieis desde o inicio da sua carreira.
MASTODON
AGRADECIMENTOS
EVERYTHING IS NEW





























































