
Numa noite, onde as estrelas portuguesas brilhavam por terras espanholas, e que as máquinas fotográficas se viravam aos céus para fotografar as auroras boreais, o Grande Auditório do Centro Cultural de Belém recebeu dois dos mais conceituados músicos do jazz contemporâneo – o pianista Marc Copland e o guitarrista John Abercrombie.
Mas quais as semelhanças entre estes dois artistas e o último grande concerto, realizado neste espaço, protagonizado por Orelha Negra? A ausência de letra nos temas, o que não deixa de ser normal para um espetáculo de jazz, e a sala muito bem composta, contrastando com um palco demasiadamente grande para um espetáculo intimista.
Este concerto, já há muito esperado, resultou de um adiamento, por motivos de doença, da data inicialmente agendada para setembro do ano passado, e mais uma vez parecia não querer começar. Um problema técnico com o ON/OFF de uma coluna trouxe ao de cima o humor de Abercrombie, que de imediato solicitou um aplauso ao técnico que prontamente solucionou o percalço.
O concerto iniciou com “Everything I Love” de Marc Copland e foi muito bem recebido por um auditório atento. Na primeira das curtas intervenções da noite o pianista não quis deixar de brindar a plateia com um “Estamos muito felizes por estar em Lisboa”, a que o público português retribuiu calorosamente com uma salva de palmas.
“Left behind”, “Seven”, “Falling Again” ou “So Long” foram alguns dos temas escolhidos pelos músicos para esta noite. Temas que fazem parte do álbum “Speak to Me” que não sendo a primeira vez que Marc Copland e John Abercrombie gravaram em conjunto, é o primeiro registo de ambos sozinhos em duo, e onde demonstram a mestria e a sintonia existente entre os dois. O público limitava-se a apreciar e aplaudir.
Ao fim de nove temas chegou o encore onde Abercrombie citando grandes nomes que influenciaram o jazz afirmou «Music is about following that tradition (…) If they weren’t here we wouldn’t have anything to play» e foi a introdução perfeita para “”, tema eternizado pelo lendário duo de Bill Evans e Jim Hall, que encerrou a atuação. O aplauso final, de pé, surgiu após cerca de 100 minutos de concerto. À medida que o público abandonava a sala, e levava para casa o calor e a suavidade da música destes dois grandes mestres do jazz, o auditório ficava novamente em repouso aguardando pelo próximo espetáculo.









































