IMAGEM DO SOM | Reportagem de Espetáculos

TIAGO BETTENCOURT | Teatro Gil Vicente

Com a onda de frio que invadiu Portugal, soube bem o convite de Tiago Bettencourt para, nesta noite gélida, o acompanhar até à sua toca e o ouvir cantar grandes poetas. O Teatro Gil Vicente, em Cascais, foi o local escolhido para o primeiro concerto de apresentação do seu novo álbum "Tiago na Toca e os Poetas", um espaço aconchegante que rapidamente encheu para receber o músico.

Enquanto aguardava pelo início do espetáculo o público aproveitava para folhear o Livro, que acompanha o CD, e que reúne uma compilação de poemas musicados por Tiago Bettencourt. Recorde-se que as receitas da venda deste pack revertem integralmente para a associação “Ajuda-me a Ajudar” e que a compra do CD/Livro ainda dá direito a um bilhete para assistir a um dos três concertos exclusivos (Cascais, Aveiro ou Porto).

Neste novo trabalho o músico convidou amigos, músicos reconhecidos e não só, para o acompanharem nas canções que nasceram por detrás dos poetas e dos poemas, no entanto Tiago apresentou-se esta noite a solo. «Não gosto muito de estar sozinho em palco, por vezes assusta», referiu a certa altura durante o concerto, mas embora só em palco o público da toca nunca deixou o músico sozinho, acompanhando-o da primeira à última estrofe.

Passavam 20 minutos das 22h, quando as luzes se apagaram sobre a plateia e, ao fundo, se iluminou a projeção de um dos vídeos que alternavam nas diversas canções e que acompanharam todo o espetáculo conferindo-lhe cor, movimento e tranquilidade à música que nascia. “Amor é difícil” foi o poema eleito para as honras de abertura.

Foi entre jogos de luzes, e com Tiago Bettencourt a intercalar entre a viola e o piano preenchendo por vezes o vazio das palavras com a harmónica, que foram desfilando as canções. Da ementa não faltaram os grandes nomes da poesia portuguesa, como Sofia de Mello Breyner com “Sei que estou só” e “Data”, passando por “Poema de desamor” de Alexandre O’Neill, a que se seguiram as palavras de Florbela Espanca, recordando ainda Pessoa em “A morte é curva da estrada” e não esquecendo “Cavalo à solta” de Ary dos Santos.

Quase a chegar ao fim do alinhamento Dalila Carmo juntou-se a Tiago, em versão multimédia, dando voz a “Nós somos” de António Ramos Rosa. Declamando, Dalila começa sozinha para depois ser suavemente acompanhada pelos acordes da guitarra numa simbiose perfeita daquilo que deve ser a poesia e a música.

Só nós dois” encerra uma primeira parte da atuação, que como o músico referiu «Passou muito rápido», e fecha os temas do novo álbum. Com um forte aplauso ninguém abandona os lugares pois queriam mais e não foi preciso esperar muito para o regresso do músico ao palco.

No encore “Laços”, “Só mais uma volta” e “O Jogo”, foram apenas alguns dos temas recordados na sessão de discos pedidos, eleitos entre as muitas solicitações do público.

«Agora tenho de ir embora» foram das últimas palavras ouvidas, e foi por entre uma plateia a aplaudir de pé que o músico se despediu e agradeceu a todos os presentes. À saída era visível o calor aconchegante que cada um levava para casa enquanto um a um abandonavam a toca.

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Alinhamento
Amor difícil
Sei que estou só
Ao Sol
Poema de desamor
X
Morte é curva
O lenço
Saudades eu não as quero
Cavalo à solta
A pedra
Data
Nós Somos
Só nós dois

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