IMAGEM DO SOM | Reportagem de Espetáculos

LUIS REPRESAS & JOÃO GIL | Centro Cultural de Belém

Em mais uma noite gelada na cidade de Lisboa, todos aqueles que se deslocaram até ao Grande Auditório do Centro Cultural de Belém, puderam esquecer-se do frio e usufruir de uma noite extremamente calorosa na companhia de dois artistas que dispensam apresentações, Luís Represas & João Gil, que ao fim de 35 anos de amizade e trabalho em conjunto se apresentam em dupla para fazer aquilo que sabem de melhor.

Levanta-se a cortina sobre o palco do grande auditório e revela-se a primeira música da noite, “Rouba‑corações”. Luís Represas e João Gil, acompanhados à guitarra por Luís Fernando, na bateria por Marcos Alves, Cícero Lee no baixo e Carlos Garcia no piano, interpretam mais alguns dos originais desta nova pareceria “Diz-me tudo meu pai”, “Chave dos sonhos” e “ Ave rara de Xangai”, não esquecendo temas mais antigos como “Deixa-te ficar na minha casa” ou “Feiticeira”.

«Uma pessoa senta-se e a responsabilidade aumenta» afirmou João Gil, e com os dois músicos sentados lado a lado ouvimos os acordes de “O cheiro a café” que começa apenas com vozes e guitarra, mas que lentamente vai ganhando novos sons à medida que a restante banda entra também na canção.

A cortina, que tinha sido elevada ainda há tão pouco tempo, começa novamente a descer isolando os dois músicos no palco. Os momentos que se viveram em seguida são definitivamente únicos, revelando grande cumplicidade e entre pequenas conversas que contextualizam origem da música que se ia seguir, os músicos brindam-nos com interpretações intimistas onde as guitarras e a voz se fundem e se complementam sem necessidade de mais adornos. Desta forma recordámos “Sagres” e “Saudade”, esta última composta por João Gil sozinho em Luanda tendo por companhia um copo de vinho, e que foi cantada alternadamente pelos músicos em palco e pelo público em coro.

Luís Represas revela e agradece a obsessão de João Gil na criação das músicas que conduzem a verdadeiras preciosidades como é o caso de “Canção do Bandido (O Zorro)”, tema que esta noite ganhou um novo verso «E tu voltas a chamar-me Piegas» que introduzido, mesmo de forma subtil, arrancou sorrisos por toda a plateia.

Um caso mais” foi o último tema cantado em dueto e, já com a banda de novo reunida, foi o momento de se ouvir o primeiro single do novo álbum “Sisudo amável”.

Numa época em que a crise domina a atualidade e estamos perante tantas restrições é preciso continuar a sonhar e por momentos voltámos a ser crianças e escrevemos a carta “Ó Meu Querido Pai Natal”, para depois nos rendermos aos versos do poeta com “Amor é fogo que arde sem se ver” que com ritmos de batuques apela para a dança e foram alguns que responderam ao apelo e por instantes abandonaram as cadeiras e se renderam à dança.

Mais alguns clássicos marcaram a noite como “Da próxima vez”, “Locos de Lisboa” ou “125 Azul” os quais foram muito bem recebidos pelo público que cantou e acompanhou de palmas.

Para o fim do alinhamento estava reservada “ A canção da Fome” que embora tenha sido escrita em 1840 a letra está mais atual que nunca, terminada a canção, Luis Represas e João Gil, despedem-se no público e rapidamente abandonam o palco, mas ainda mais rápido retornam para mais três músicas no encore “Entre mim e eu”, "Fim do Mundo” e “Quando eu voltar a nascer”.

Parecia que o concerto estava terminado, mas o público não queria ir embora e continuava a chamar pelos músicos, que não dececionaram e, pela segunda vez, retornam para nos presentear com o eterno ”Perdidamente” e terminar como haviam começado com “Rouba-corações”.

Ao fim 2h de concerto e de mais de duas dezenas de canções o sentimento era unânime e visível pela satisfação do público que aplaudia de pé, num aplauso aos músicos e à música.

Luis_Represas01
Luis_Represas02
Luis_Represas03
Luis_Represas04
Luis_Represas05
Luis_Represas06
Luis_Represas07
Luis_Represas08
Luis_Represas09
Luis_Represas10
Luis_Represas11
Luis_Represas12
Luis_Represas13
Luis_Represas14
Luis_Represas15
Luis_Represas16
Luis_Represas17
Luis_Represas18
Luis_Represas19
Luis_Represas20
Luis_Represas21
01/21 
bwd fwd

Alinhamento
Rouba corações
Diz-me tudo meu pai
A chave dos sonhos
Ave rara xangai
Deixa-te ficar na minha casa
Feiticeira
O cheiro a café
Sagres
Saudade
Canção do bandido (O Zorro)
Um caso mais
Sisudo amável
Ó meu querido pai natal
Da próxima vez
Loucos de Lisboa
Amor é fogo que arde sem se ver
125 Azul
A Canção da Fome

Encore 1
Entre mim e eu
Fim do mundo
Quando eu voltar a nascer

Encore 2
Perdidamente
Rouba corações

Login to post comments
.

Últimas »

oficina da ilusao
prime artists musica no coracao xinfrim
magic music taking over
ritmos loverslollypops uguro rememberMinds eventosImediatos