
Não deviam ser mais do que 300, as almas que se juntaram em Estarreja para ver e ouvir os Diabo na Cruz na fria noite de 24 de Setembro de 2010 - concerto inserido na FESTARREJA 2010 - Festa da Juventude de Estarreja, promovida pela Câmara Municipal.
Foi com muito prazer, e com muita curiosidade também, para ver o que Jorge Cruz e os seus "diabos" traziam na bagagem, que a IMAGEM DO SOM marcou presença.
E mudou alguma coisa desde as primeiras vezes que os vimos...
Em primeiro lugar pareceram muito mais maduros musicalmente falando, e muito mais à vontade. Não tinham à sua frente um público que ali tivesse parado por acaso; tinham um público conhecedor do seu álbum e das suas músicas, e que ali foram claramente para os ver.
Em segundo lugar, se é verdade que continuam fiéis ao binómio música popular / rock, é também verdade que o fiel tendeu mais para o segundo do que para o primeiro. O som intenso da guitarra eléctrica de Jorge Cruz, bem como alguns momentos (absolutamente fabulosos, diga-se...) protagonizados por Bernardo Barata (baixo), João Pinheiro (bateria) e João Gil (teclados) - a secção do meio de "Dom Fuas Roupinho" foi um exemplo flagrante - atiraram os Diabo na Cruz para uma sonoridade muito mais forte e mais rasgada do que aquilo que se ouve no registo em estúdio. Fica por saber se foi particularmente assim neste espéctaculo, ou se esta é uma tendência que continuará a vincar-se cada vez mais na sonoridade da banda. O tempo o dirá, e a IMAGEM DO SOM cá estará para o constatar. De uma maneira ou de outra, notável será sempre o modo como fundem os géneros musicais, naquilo que já se tornou a sua própria identidade musical: muito poucos o fizeram, até hoje, tão bem como eles.
Em terceiro lugar vem o que não mudou, que foi a simpatia e o brilhantismo destes 5 músicos. Estão a tocar e a cantar cada vez melhor. Jorge Cruz continua seguríssimo em palco, B Fachada (apesar de particularmente mais discreto, neste espectáculo em Estarreja, do que aquilo a que estamos habituados) continua a cantar impecavelmente e a dar um contributo musical valiosíssimo à banda, Bernardo Barata segurou, sem mácula, o baixo, e está também a cantar muito bem. Lá mais atrás, no palco, João Gil revelou-se um músico extraordinário, simultaneamente discreto e rigoroso (nem sempre é óbvio quais são as suas deixas, mas é um aglutinador exímio dos diferentes sons da banda e um potenciador das sinergias sonoras que tanta força dão aos Diabo na Cruz - salvaguardadas as proporções, faz-nos lembrar o papel de George Harison, nos Beatles). Por último, e porque os bateristas ficam (quase) sempre para o fim, vem o responsável pela batida incansável da banda: João Pinheiro; o homem é um metrónomo e deu o litro na hora e meia de concerto. A ser verdade o que dizem de um bom baterista ser suficiente para fazer uma má banda soar bem, então este João Pinheiro é o baterista que todas as más bandas gotariam de ter. Felizmente, estes "diabos" não nos sairam uma banda má nem boa; sairam-nos uma banda excelente, onde João Pinheiro está em casa e onde encaixa como uma luva.
Estes Diabo na Cruz vêm, assim, tornando-se numa máquina de música bem oleada e com uma sonoridade muito rock. Merecem ser vistos ao vivo, e vão andar por aí, por isso andemos atentos.
Antevimos, há meio ano, que dariam que falar. Parece que não nos enganámos...
Agradecimentos:













































