IMAGEM DO SOM | Reportagem de Espetáculos

HARLEM GOSPEL CHOIR | Coliseu Lisboa

Numa noite chuvosa, a baixa enfeitou-se de Natal enquanto um Coliseu praticamente lotado aguardava expectante o concerto do Harlem Gospel Choir. O facto de a banda ser actualmente uma das grandes referências neste género musical contribui certamente para a diversidade de público que se vislumbra na plateia. Ainda que o Gospel seja um estilo assumidamente associado à cultura afro-americana e à religião, a verdade é que chega a um público cada vez mais vasto.

Depois de um início instrumental (com alguns elogios à cidade de Lisboa à mistura) o mote fica dado: Are you ready for some Gospel?!?!  O público corresponde e a partir deste momento tornar-se-ia quase impossível qualquer espectador manter-se sentado na cadeira ou de mãos nos bolsos durante as quase 2h de concerto.

O início é agitado e a batida frenética, talvez mais do que a ideia de um concerto Gospel pudesse fazer adivinhar. Com um público sempre chamado a intervir e completamente rendido, nesta altura já não se vislumbra na plateia aborrecimento ou cansaço de um dia de trabalho.

É verdade que este não é verdadeiramente o Gospel que se ouve nas mais tradicionais igrejas do subúrbio Nova- Iorquino de Harlem. Trata-se de um género mais trabalhado, mais vocacionado para o espectáculo de grande dimensão e, em muitas situações, mesmo mais comercial. A verdade é que o conceito resulta! A Fé e garra de quem canta, envolvem o público irremediavelmente. De acordo com as palavras do grupo, o objectivo seria garantir que cada um dos presentes naquela noite mágica teria a oportunidade de assistir a um grande concerto. O decorrer do espectáculo fazia-nos adivinhar que, certamente, essa missão seria claramente cumprida.

O ponto alto da primeira parte chega e com ele são revisitados dois clássicos do Gospel. “Total Praise” gera o silêncio comovido da plateia, enquanto o grupo prossegue de mãos dadas com alguns elementos do público. Segue-se o hino cristão “Amazing Grace”, num momento capaz de arrepiar o mais céptico. 

O intervalo chega. São cerca de 20 minutos para retemperar energias. O início da 2ª parte traz-nos um momento bem adequado à quadra que vivemos. “Joy to the World”, “Silent Night, Holy Night” e “We wish you a Merry Christmas” são alguns dos clássicos de Natal apresentados em versões muito próprias. A ocasião não poderia ser mais apropriada e o público volta a retribuir com um caloroso aplauso.

Depois de um “Happy Birthday” em homenagem a uma aniversariante presente na plateia, adivinha-se o aproximar do final do espectáculo. De acordo com as palavras do grupo, a música que se seguia era de grande significado: “Quem vai à igreja e canta esta canção recebe uma bênção”… E surgem assim os primeiros acordos do aclamado “Happy Days”, que é entoado a uma só voz por todo o Coliseu. Segue-se “Celebration” para um final apoteótico (afinal de contas, Gospel é isso mesmo: Celebração).

O grupo sai de palco, mas o público não desiste, implorando por mais em uníssono. Para o encore ficou reservado “We are the World”, marcado pela presença dos mais pequenos em palco.

De facto, como os próprios recordaram, “Gospel is more than a show, it´s a feeling”. A julgar pelo ambiente do Coliseu, o público subscreve inteiramente

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